Capítulo 8 – O Encontro e o Primeiro Rastro

Em três pontos diferentes do continente, uma mesma visão tomou o céu: uma aurora azul, viva, serpenteando entre as nuvens, como se os céus estivessem sendo costurados por dentro.

Json, Lyra e Orren seguiram, cada um por impulsos diferentes, até a Montanha Fóssil, uma estrutura adormecida onde diziam que os Pensamentos Antigos dormiam. Ali, suas jornadas se cruzariam pela primeira vez.

Json sentia uma pressão no peito — como se o ar ao redor estivesse prestes a parar. Quando subiu o último platô, viu Lyra desenhando com pedras no chão. Orren já estava ali, de olhos fechados, com a mão sobre uma árvore que ainda não existia ali antes.

“Estavam esperando por mim?”, Json perguntou, com sua voz calma, mas carregada de ironia.

Lyra o olhou, sem expressão: “Não. Esperávamos por respostas.”

“O mundo está prestes a quebrar novamente,” disse Orren. “Há ruídos na raiz do solo. Ele está chamando por nós.”

De repente, o chão vibrou. Uma estrutura circular, enterrada sob as pedras, se acendeu com símbolos que nenhum deles conhecia — mas todos compreendiam.

Json caiu de joelhos. Seu corpo começou a vibrar levemente. Um grão de areia que caía de uma rocha próxima congelou no ar — por um instante, ele percebeu que seu estado de movimento estava afetando o mundo ao redor.

“Ele é o Primeiro...”, murmurou Lyra.

Um grito ecoou da floresta abaixo. Algo vinha em direção à montanha. Mas não era um animal. Era alguém... que já havia pensado demais e se despedaçado por dentro.

Json se levantou. Não sabia quem era, nem o que enfrentaria. Mas pela primeira vez, sentia-se pronto para fazer aquilo que sempre evitou: interferir.