Capítulo 7 – O Despertar de Json

Json nasceu sob o céu de cinza e vento, no limiar entre duas fronteiras esquecidas. Desde pequeno, não via o mundo como os outros. Onde seus irmãos viam ordens e costumes, Json via inconsistências. Onde sua mãe via tradição, ele ouvia ecos de algo quebrado.

Aos sete anos, Json já perguntava sobre o tempo. Mas não o tempo das estações, e sim o tempo dos pensamentos: "Pai, por que uma ideia se repete antes de morrer?" — ele dizia. E ninguém sabia responder.

Certa noite, Json sonhou com três espelhos. No primeiro, viu seu rosto coberto por luz. No segundo, viu-se criança, nu, tremendo diante de um vazio. No terceiro, não viu nada — apenas um som: o estalo de algo quebrando dentro de si.

Ao acordar, sentiu que algo havia mudado. Estava mais leve. Ao caminhar, o chão parecia ceder um pouco sob seus pés, como se o mundo estivesse esperando sua decisão para se mover.

Na semana seguinte, durante uma tempestade, Json correu por entre os campos. Sentia o vento não como um obstáculo, mas como parte de si. Um raio caiu próximo — e por um segundo, ele teve certeza de que o raio caiu porque ele o quis.

Na vila, começaram a temê-lo. Dizia-se que os pensamentos de Json influenciavam as colheitas, os ânimos e até a direção das aves no céu. Ele sorria, sem saber por quê.

Do outro lado do mundo, dois outros jovens também despertavam:

Mas nenhum deles sonhava como Json.

E nenhum deles pressentia que, na próxima lua escura, os três seriam levados até a mesma fronteira… e uma escolha selaria o início da primeira colisão.

Json, como nome e personagem, será central para o dilema filosófico da obra. Sua mente estrutura pensamentos de forma única, e seu poder estará ligado à forma como ele interpreta o mundo. O próximo capítulo mostrará o encontro dos três jovens e o início de uma jornada maior. Podemos trabalhar melhor o conceito de “invocação da inércia” em breve!