Capítulo 6 – A Semente das Três Casas

Muitos ciclos passaram desde o dia em que Sapha profetizou a queda de um dos Três. O tempo, sempre sutil, moldou suas palavras em lendas sussurradas ao redor das fogueiras, escritas em pedras e tatuadas na pele dos que vieram depois.

As três vozes deram origem a três caminhos — e desses caminhos, nasceram as Casas.

A Casa de Elior, a mais silenciosa, ergueu-se entre as raízes e cavernas. Seus filhos eram ouvintes do vento, observadores do ciclo da vida, estudiosos da harmonia entre corpo e terra. Acreditavam que todo saber real era recebido — não conquistado. Seus sentidos foram se aprimorando. Ouviam as pedras, sentiam a vibração das folhas. Com o tempo, desenvolveram uma sensibilidade incomum à energia dos corpos, percebendo até a menor alteração no ritmo do mundo. Alguns chamavam isso de "saber instintivo". Outros, "leitura da alma".

A Casa de Kael ergueu cidades, projetou ferramentas e registrou equações em tabuletas de pedra e metal. Seus descendentes cultivavam a mente como lâmina: lógica pura, estrutura, domínio. Onde outros viam o fogo, eles viam combustão. Onde viam trovões, viam descarga elétrica. Aprenderam a manipular os vetores do mundo físico, calcular trajetórias, prever eventos com precisão. Diziam que o verdadeiro poder era o controle da realidade, e a realidade era um sistema quantificável.

A Casa de Sapha não construiu muros nem templos. Vivia entre as outras, como sombra que observa. Seus descendentes nasceram com inquietude, perguntas que doíam. Alguns chamavam de indecisão. Outros, de visão. Buscavam verdades ocultas, provocavam o pensamento estabelecido, e por isso eram temidos. Ao longo das gerações, surgiram entre eles indivíduos capazes de intuir probabilidades, prever decisões alheias ou induzir dúvidas em outros com a simples presença.

Um dia, três jovens nasceram em três pontos distintos do mundo, cada um sob uma estrela idêntica — uma que brilha em movimento constante, diferente das demais.

Seus nomes ainda não foram registrados... mas os mais antigos da Casa de Sapha dizem que **o Ciclo se reiniciou**.

E que desta vez, o poder não será apenas pensamento — mas consequência.

Este capítulo marca o início da divisão cultural e filosófica no mundo. As Casas são linhagens de ideias — cada uma representa uma forma de ver o mundo e desenvolver "poderes" reais baseados em interpretação do mundo físico, mental ou emocional. A introdução dos três jovens será explorada no Capítulo 7.