O silêncio de Néma se prolongou por muitos ciclos. Elior se afastou para as Montanhas Vazias, onde a voz da Consciência ainda sussurrava entre os ventos antigos.
Kael permaneceu com seu círculo, agora já milhares, ensinando o mundo a dobrar-se às fórmulas, leis e máquinas primitivas que começavam a surgir.
Sapha vagava entre os dois caminhos, sentindo que em si mesma nascia uma terceira via — nem sabedoria cega, nem controle absoluto — mas **a dúvida viva**.
Em uma manhã coberta por névoa branca, Elior desceu das montanhas e encontrou Kael diante do lago ancestral.
— “Você se esqueceu de onde veio”, disse Elior.
— “Eu apenas avancei. Você se prendeu ao passado.”
— “O passado não é prisão... é raiz.”
— “Então morra com ele.” — respondeu Kael, virando as costas.
Sapha chegou tarde demais para impedi-los de se separarem. E ali, no centro daquele triângulo de visões, ela pronunciou:
“Um dia, três herdeiros nascerão destas vozes. E quando se encontrarem... um deles cairá.”
Ninguém respondeu.
Mas o céu tremeu — como se o próprio tempo registrasse a profecia.
Nota: O triângulo entre Elior (sabedoria), Kael (ciência) e Sapha (dúvida) é a base filosófica do universo da história. A profecia dita por Sapha prepara o surgimento das futuras linhagens de poderes e conflitos. A “queda” será interpretada por cada doutrina de forma diferente, gerando guerras e religiões em torno disso no futuro.