A voz de Kael se espalhava como vento em campo seco.
Homens e mulheres o ouviam e repetiam.
Repetiam sem pensar. Repetiam sem sentir.
E assim nasceram os ecos.
“O mundo não precisa de sentidos”, dizia ele. “Só de fórmulas e controle.”
Seu Círculo se formava ao redor de pedras, símbolos e números.
Eles chamavam a si mesmos de os Rígidos — os moldadores do real.
Elior caminhava entre as árvores onde antes ouvia Néma.
Mas agora, ouvia apenas vozes humanas... e nenhuma era verdadeira.
Sapha via o que se formava. Sabia do perigo.
Mas também sentia orgulho do que Kael ensinava.
Sabia que algo belo nascia, mas também... algo sombrio.
“Se o pensamento fragmenta, o que resta do primeiro?”
— murmurou Elior, enquanto o céu escurecia não por clima, mas por peso.
E naquele dia, Néma falou com apenas um sussurro... e depois, silenciou.
Nota: Este capítulo marca o início da multiplicação de doutrinas. O Círculo dos Pensamentos Rígidos é o prenúncio das futuras seitas do conhecimento extremo. Kael representa a razão que, sem equilíbrio, se torna tirania. O silêncio de Néma é a metáfora da perda da voz interior da consciência coletiva.