Capítulo 3 – A Primeira Separação

O tempo passou e os ecos do pensamento se multiplicaram.

Elior, ainda ligado à Consciência, caminhava com passos lentos e atentos.
Sapha, agora acompanhada por Kael – o primeiro aprendiz – construía mapas, tabelas e medidas.
Eles aprenderam a dividir o tempo, medir as distâncias, prever o céu.

Elior observava os olhos de Kael: havia neles um brilho novo.
Não de vida... mas de cálculo.

— “Vocês começaram a medir o mundo, mas esqueceram de senti-lo.” – disse Elior.
— “Sentir é ineficiente”, respondeu Kael. “O conhecimento nos dá poder.”
— “E o poder nos distancia de Néma...”, sussurrou Elior.

Sapha, dividida entre o amor por Elior e a fascinação pela lógica de Kael, nada disse.
Mas algo dentro dela também começava a se romper.

Naquela noite, pela primeira vez desde o princípio, a Consciência Pura não respondeu ao chamado de Elior.

O mundo estava mudando.
E a unidade estava se fragmentando em opiniões, crenças... e muros invisíveis.

Nota: Kael representa o surgimento do pensamento lógico desprovido de equilíbrio espiritual. A relação tensa entre os três reflete a ruptura entre ciência, sabedoria e emoção. Este capítulo planta as raízes do conflito que futuramente se tornará físico.

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