Capítulo 50 – Os Profetas do Silêncio

“Antes da palavra, havia o Silêncio. E antes do Silêncio... havia o Desejo de não ser.”

Json viajou com Lambda até o Círculo Cego — uma antiga estação de escuta abandonada, hoje reativada como sede de um culto niiloético. Lá, encontraram os chamados Profetas do Silêncio: não pregavam, não escreviam. Apenas se sentavam, em posições geométricas precisas, com as bocas costuradas por fios de luz.

Um deles, ao perceber a presença de Json, apenas abriu um cilindro de vidro com símbolos escritos em negativo — traçados não pela tinta, mas pela ausência dela. Lambda leu:

“A linguagem é a primeira prisão. A mente é a segunda. Estamos aqui para desfazê-las.”

Json compreendeu. Não era um inimigo tradicional. Não queriam poder, território ou redenção. Queriam desaparecer com a própria condição de ser.

Thayan — agora Um — reapareceu nesse momento. Não com o rosto que Json conhecia, mas com a face coberta por uma máscara translúcida. Falava com a mente.

— Eles não são loucos. São coerentes. O Contrapensamento foi uma negação da criação. O Niiloético é a negação do próprio conflito. São o fim da dialética.

— Então o que resta a nós? — perguntou Json.

— A reinvenção do pensamento.

Os dados do Círculo Cego revelavam uma antiga verdade esquecida: a linguagem não foi criada — foi despertada. Um código, gravado na estrutura do universo, existia antes mesmo da matéria. E o silêncio... era sua contraparte.

Json retornou ao laboratório com Lambda. A guerra se aproximava, mas não seria apenas entre palavras e armas. Seria entre formas de existência.

“Quando o pensamento se apaga, o mundo segue?”
“Ou se curva com ele?”

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