Json não falava. Seu olhar se perdia em coisas que não estavam no mundo. Desde a volta da Zona Silenciosa, parte dele permanecia ausente. Aima não retornou. Thayan... não tinha mais nome. Chamava-se apenas Um.
E foi Um quem, pela primeira vez, escreveu com os próprios dedos um novo símbolo numa parede metálica do laboratório:
∴ ∴ ∴
Três pontos. Nenhum som. Um movimento sem ideia. Json sentiu calafrios. Sabia o que significava: havia algo mais perigoso que o Contrapensamento. Algo que não queria convencer, conquistar ou destruir. Queria apenas desaparecer com tudo.
Os primeiros seguidores apareceram nas zonas periféricas: antigos técnicos, soldados, filósofos cansados. Diziam ter ouvido o “Vazio Sussurrante”. Pregavam a libertação da linguagem, do desejo, da lembrança.
— Eles chamam isso de Niiloética — sussurrou Lambda, lendo os manifestos codificados nas torres de transmissão. — É uma fé no apagamento total. Não como derrota, mas como redenção.
Json assentiu. E pela primeira vez em dias, falou:
“Eles não querem vencer. Só querem calar o mundo.”
O Contrapensamento reagiu. Suas manifestações começaram a falhar em regiões onde o Niiloético crescia. Como se o silêncio os anulasse mutuamente. Como se algo anterior a ambos estivesse sendo despertado.
Em um dos monastérios do Norte, um mapa antigo começou a emitir pulsos. Era feito de pedra mental. Json reconheceu os padrões: era o mesmo traçado que tinham visto na Zona Silenciosa.
“O que nasce do silêncio... termina onde o som se fez.” — diziam os fragmentos.
Restava a Json uma escolha: aprofundar a ciência da linguagem ou se preparar para uma guerra contra o silêncio absoluto. Mas e se o silêncio... também tivesse seus profetas?