"Quando o pensamento ultrapassa os limites da mente, ele busca matéria para continuar existindo." — Elith
O silêncio que se seguiu à fundação das Escolas Filosóficas não era um fim — era um prenúncio. Como o respiro profundo antes da criação, o mundo parecia suspenso, aguardando o próximo passo. Os salões onde o saber era transmitido com fervor já não bastavam. Era tempo de moldar o invisível. Era tempo de dar forma ao que antes só se compreendia.
Após a queda de Etham e a ascensão das Escolas, uma nova inquietação crescia entre os mais jovens: se o conhecimento é poder, e o poder pode ser sintetizado, então por que não fundi-lo com a matéria?
Json, guiado por memórias ancestrais e pela dor recente, convocou os pensadores remanescentes. Não era mais tempo de apenas entender — era tempo de transformar. Fundaram então o primeiro Núcleo de Convergência Racional, oculto no subsolo da antiga biblioteca de Altherion.
Lá, conceitos puros começaram a ser testados: calor transformado em propulsão, lógica aplicada em circuitos conscientes, reações químicas programadas por códigos mentais. A tecnologia que nascia ali não era feita apenas de engrenagens — era feita de ideias.
Foi Thalia quem primeiro pronunciou: “Isto não é mais pensamento. É pensamento encarnado.”
Começaram com pequenas invenções: uma luva que traduzia emoções em vibrações, um compasso que seguia fluxos éticos em vez de campos magnéticos. Mas logo, uma das criações ultrapassou todos os limites.
O chamado Espelho de Práxis foi ativado por Json. Ao olhar através dele, via-se não o reflexo físico, mas a consequência lógica de cada escolha. Era como encarar o destino projetado pela razão.
Mas algo perturbador aconteceu. Durante o teste do espelho, uma imagem surgiu — distorcida, sombria, dissonante. Não era ninguém conhecido. Nem sequer parecia humano.
Json recuou. Thalia congelou. Era o primeiro sinal de que outras mentes, talvez forjadas em lógica distorcida, já existiam... ou estavam prestes a despertar.
E naquele laboratório de ideias, onde o silêncio era quebrado apenas por pulsares de dados e batimentos cardíacos, um novo dilema surgia: o quanto da mente podemos transformar sem perder a alma?
O mundo nunca mais seria o mesmo. E o verdadeiro confronto entre sabedoria e ciência estava apenas começando.