Capítulo 28 – Ecos do Contrapensamento

O silêncio no laboratório era cortante. As fórmulas flutuantes estavam estáticas, como se algo — ou alguém — estivesse inibindo a própria lógica do espaço.

Json e Thalia se mantinham atentos. Desde que Json avistara a figura no espelho, o ambiente reagia com lentidão, como se os pensamentos estivessem sendo travados. Foi então que as luzes do teto simulado se apagaram por completo.

Uma nova figura surgiu, vestida de sombras e equações invertidas. Seus olhos não tinham brilho, apenas reflexos distorcidos de símbolos quebrados. “Vocês treinam para dominar o mundo real... mas sabem o que acontece quando se quebra a base da realidade?”

Json tentou ativar a manipulação vetorial, mas o cálculo não se completava. A equação que formava o campo de força retornava erro. Era como se as leis tivessem sido sabotadas.

“Ele está reescrevendo as funções mentais,” gritou Thalia. “Está invertendo os postulados!” “Então vamos pensar fora da base,” respondeu Json. Ele fechou os olhos e acessou seu núcleo paralelo. Não era mais questão de aplicar fórmulas, mas de reconstruí-las.

A batalha não era física, mas semântica. Cada golpe do inimigo era uma contradição lógica lançada como uma lâmina: “Se tudo é energia, nada é matéria.” Json quase desmaiou ao tentar absorver o paradoxo, mas Thalia criou um escudo de causalidade: “Energia se transforma em matéria, mas uma não anula a outra.”

O intruso se enfureceu. “Vocês ainda acreditam que a verdade pode ser mantida intacta?” “A verdade não precisa ser protegida,” respondeu Elith, surgindo atrás do invasor, “ela se sustenta pela coerência.”

Elith ativou um selo mental — um antigo protocolo de expulsão. O intruso gritou enquanto as contradições que criara voltavam contra ele mesmo, colapsando sua presença. Por um momento, antes de desaparecer, sussurrou:
“Outros já despertaram... o caos está raciocinando.”

Com o laboratório retomando sua estabilidade, Json caiu de joelhos. Nunca sentira tanta sobrecarga cognitiva. “O que foi isso?” perguntou. Elith respondeu com gravidade: “Isso… foi um eco do Contrapensamento. Uma entidade que nasceu da rejeição às leis naturais. E não será o último.”

A ameaça era real. As distorções estavam surgindo em múltiplas camadas do pensamento global. “Se eles invadirem o mundo real,” murmurou Thalia, “a própria lógica da existência será ameaçada.”