Um silêncio estranho dominava o pátio central da Escola da Termodinâmica. Após o impacto causado por Lior, mestres e aprendizes andavam com olhos atentos — não mais só pelo campo, mas pelas ideias. O medo não era mais físico. Era intelectual.
Json observava a escrita de seu mestre Etham, agora em holografia preservada. Suas últimas anotações falavam sobre o “Pêndulo da Consciência” — a noção de que todo avanço possui um reflexo negativo, e que apenas a reflexão consciente impediria o colapso do saber.
Json fechou os olhos por um instante. Desde que enfrentaram os Biotecnos, o tempo parecia ter mudado seu ritmo. Ele sentia algo se aproximando... mas não com os sentidos comuns — era como se a própria realidade estivesse sendo escrita por outra mão.
O segundo impacto viria não por armas, mas por palavras. Panfletos criptografados estavam sendo distribuídos, com ideias perigosamente sedutoras:
Json sabia o que isso significava. Estavam tentando desencadear uma inversão semântica: uma rebelião contra a ordem natural do pensamento lógico, para que os jovens perdessem confiança nas leis físicas, na biologia, na matemática e até na causalidade.
O Conselho do Pensamento convocou todas as Escolas para um encontro emergencial. Pela primeira vez em séculos, a Escola da Biologia Molecular e a da Ontologia Básica estariam lado a lado.
Ao final do dia, Json sentou-se sozinho, escrevendo em seu antigo caderno:
O eco de suas palavras seria ouvido na aurora seguinte. Porque, sem saber, Json havia acabado de criar a arma mais poderosa da história: O Contrapensamento.