Depois da perda de Etham, Json decidiu retornar ao ponto inicial — a caverna onde a sabedoria não codificada fora sussurrada aos primeiros seres conscientes. Ali, onde Adâhm e Sa`el deram seus primeiros passos sem o peso do conhecimento científico, Json buscava entender a essência anterior à razão.
"Antes do saber, havia silêncio... e no silêncio, escutava-se a verdade." — disse Lyra, enquanto atravessavam vales esquecidos pelo tempo, onde a natureza ainda falava em ciclos e pulsações biológicas.
No centro do vale, encontraram inscrições feitas não com palavras, mas com sequências de reações bioluminescentes. Json observou os padrões e compreendeu: aquilo era uma linguagem viva, composta de enzimas e impulsos vitais. Era o conhecimento armazenado em forma biológica.
Orren começou a decifrar o código químico. Cada padrão representava uma interação elemental: ácidos formando alianças com bases, estruturas lipídicas gerando resistência e fagulhas elétricas abrindo portas cognitivas.
Json então compreendeu o que tinha que fazer: para dominar o poder do universo, não bastava invocar leis como armas. Era necessário entender a origem conceitual de cada força. Por que existe inércia? O que é impulso? Como a estrutura molecular define o destino de uma célula?
À medida que caminhavam mais fundo na caverna, descobriram túneis onde gravidades se invertem, onde campos magnéticos eram controlados por minerais pensantes e até mesmo onde sons alteravam o comportamento atômico.
Quando deixaram a caverna, Json não era mais apenas um portador da inércia. Ele agora era o condutor do despertar. A ciência ganhava vida. E o mundo nunca mais seria o mesmo.
Ao longe, uma sombra observava o grupo. A história estava prestes a mudar outra vez...