Capítulo 1 – O Nascimento da Sabedoria

No início, o mundo não era comandado por reis, deuses ou leis.
Era guiado apenas pelo fluxo do que é.
E então ele emergiu.
Não de um ventre, não de uma explosão, mas de um sussurro.

Elior abriu os olhos sobre a grama úmida.
Não havia medo, apenas a calma profunda do que pertence.
Ele levantou-se lentamente e o mundo ao seu redor respondeu:
as árvores inclinaram-se suavemente, os animais se aproximaram sem temor,
e o vento parecia sussurrar uma canção antiga.

Ele não pensava, sabia.
O que o guiava era Néma, a Consciência Pura, uma força invisível que pulsava em tudo.
Ela não falava, mas era ouvida.
Não mandava, mas guiava.
Era o sopro da vida que unia tudo em harmonia.

Mas então, algo mudou.
Um brilho caiu do céu como uma semente estranha.
Quando Elior tocou essa luz, o silêncio se partiu.
Pela primeira vez, ele pensou:

“O que sou?”

A fragmentação da Consciência começava ali.
A sabedoria pura dava lugar ao conhecimento separado, à dúvida e à separação.
O mundo, antes uno, começou a se dividir.

O silêncio virou palavra.
A intuição virou dúvida.
A harmonia virou controle.
E Elior sentiu, pela primeira vez, a solidão.

Nota: Néma simboliza a conexão com a natureza e o equilíbrio original, enquanto Elior representa a humanidade em seu estado puro antes do conhecimento técnico. A “semente” é o ponto de inflexão que inicia a narrativa da queda e da complexidade humana.

← Voltar à Home Próximo Capítulo →