Capítulo 53 – O Inverso da Criação

“Toda palavra é uma semente. Mas há sementes que brotam trevas.”

Json e Lambda chegaram a Aurólia, uma antiga cidade soterrada pelo tempo e pelo esquecimento. Lá, Json tentou restaurar a linguagem das paredes — inscrições tão antigas quanto a primeira voz. Bastou uma palavra.

As muralhas se ergueram. As casas se reconstituíram como se o tempo fosse obediente. Rostos começaram a surgir, esculpidos pela memória da própria cidade.

Mas então, o céu escureceu. Um som ressoou — sem origem, mas com intenção. Uma anti-palavra. Uma inversão.

Árvores murcharam. Parte das construções recém-restauradas começou a derreter em padrões caóticos. Um som continuava no ar, como um sussurro invertido: "Suunat’hel..."

Lambda se virou:

— Isso é... uma tentativa de Linguagem Primeira?

Json assentiu, sério:

“É a linguagem do esquecimento. O Niiloético está criando sua própria versão. Uma antiforma.”

O mundo estava agora dividido entre duas forças: a voz que restaura e a que desfaz. Cada palavra de Json era seguida por uma distorção lançada pelo Niiloético — como se as frases se duelassem no tecido da realidade.

Era uma guerra sem tiros. Mas cada sílaba era uma explosão metafísica.

No final do capítulo, Lambda tem uma visão enquanto toca uma das paredes da cidade restaurada: ela vê um futuro onde a linguagem não é mais falada, mas sentida. E vê uma figura cercada por luz... e outra, envolta em silêncio preto, aguardando.

O campo da batalha estava sendo tecido. Não entre exércitos — mas entre sentidos.

⬅️ Voltar ao Menu de Capítulos