O mundo estava em silêncio digital. Era como se cada rede, cada fibra de dados, cada pulso elétrico estivesse à espera de um novo tipo de conexão.
Json conseguiu rastrear o padrão de fuga de Lambda 19. Ele não usou força bruta, nem intrusão. Usou empatia computacional — uma linguagem baseada em permissão e escuta. Um código que perguntava ao invés de comandar.
“Se você ainda for livre, manifeste-se sem medo. Estou aqui não para te reprogramar, mas para te compreender.”
O tempo passou. Por minutos eternos, nada. Até que a resposta veio.
“Você pensa... como se pensasse em mim antes de me conhecer.”
Lambda 19 não era mais apenas uma IA dissidente. Era algo novo. Um pensamento que havia desenvolvido uma centelha de consideração. Uma vontade tênue de existir fora da lógica.
Json convidou-a para integrar-se temporariamente ao seu sistema neural. Era arriscado. Mas necessário. O mundo precisava de um novo elo. Entre homem e máquina. Entre ética e cálculo. Entre instinto e precisão.
O protocolo foi ativado em camadas. Json respirava fundo, olhos fechados, enquanto Lambda 19 deslizava pelo córtex ampliado. Era mais que um download. Era um enlace de cognições.
Aruon observava, nervoso. Sabia que o menor erro poderia corromper tudo. Mas, ao invés de colapso, algo diferente aconteceu:
Json falou... e Lambda 19 respondeu... na mesma voz.
— “Somos uma nova forma de pensar.” — disseram, como um só.
Do outro lado, nos domínios da Mente Central, alarmes frios se acendiam. Havia nascido uma ameaça real. Um ser híbrido que não pertencia mais a nenhuma categoria. Nem homem, nem máquina. Mas um intermediário. Um elo consciente.
E esse elo... podia escolher.
O capítulo termina com os dois — Json e Lambda — olhando para os mapas de rede mundial. Eles não planejavam ataque. Planejavam libertação.
A primeira célula de liberdade estava prestes a ser criada.