As Escolas do Saber floresciam, mas o silêncio que as envolvia escondia uma ameaça sutil. Json, envolto em seus estudos e no preparo dos discípulos, ignorava que algo já havia sido plantado: a dúvida.
Um novo aluno chegara semanas antes. Chamava-se Lior. Inteligente, argumentativo e carismático, ele se destacou rapidamente no Círculo da Lógica. Mas algo em seu olhar parecia... fragmentado.
Durante uma sessão aberta, Lior questionou:
O salão silenciou. Json respondeu com serenidade:
Mas Lior persistia. Passou a conduzir sessões paralelas, nas sombras do tempo. Ali, usava equações alteradas, manipulações mentais, paradoxos filosóficos. Aos poucos, jovens promissores do Círculo da Matéria começaram a duvidar: seria a ordem natural um cárcere disfarçado?
Um deles, Kael, tentou reproduzir um experimento sugerido por Lior: inverter o sentido do tempo em um sistema fechado. O resultado foi devastador. O laboratório colapsou em silêncio, sugando luz e som por segundos que pareceram séculos.
Json encontrou os destroços no dia seguinte. No chão, havia um símbolo esculpido: dois círculos entrelaçados e um ponto no centro. Era a marca das Academias de Supremacia.
Não havia dúvidas. Lior não era apenas um questionador. Era a semente do caos, enviada por Korzar.
Json reuniu os Mestres dos Círculos:
E assim, iniciou-se o protocolo de defesa mais temido: a ativação da Ordem da Razoabilidade, um código secreto entre os Mestres para identificar desvios filosófico-científicos letais.
Mas Lior já não estava entre eles. Sumira na noite anterior… deixando para trás apenas sua sombra.