Capítulo 18 — A Semente do Caos

As Escolas do Saber floresciam, mas o silêncio que as envolvia escondia uma ameaça sutil. Json, envolto em seus estudos e no preparo dos discípulos, ignorava que algo já havia sido plantado: a dúvida.

Um novo aluno chegara semanas antes. Chamava-se Lior. Inteligente, argumentativo e carismático, ele se destacou rapidamente no Círculo da Lógica. Mas algo em seu olhar parecia... fragmentado.

Durante uma sessão aberta, Lior questionou:

“Se compreendemos as leis naturais, por que nos limitamos a segui-las? Não seria mais sábio aprender a dobrá-las?”

O salão silenciou. Json respondeu com serenidade:

“Dobrar as leis é negar sua harmonia. E negar a harmonia é flertar com a ruína.”

Mas Lior persistia. Passou a conduzir sessões paralelas, nas sombras do tempo. Ali, usava equações alteradas, manipulações mentais, paradoxos filosóficos. Aos poucos, jovens promissores do Círculo da Matéria começaram a duvidar: seria a ordem natural um cárcere disfarçado?

Um deles, Kael, tentou reproduzir um experimento sugerido por Lior: inverter o sentido do tempo em um sistema fechado. O resultado foi devastador. O laboratório colapsou em silêncio, sugando luz e som por segundos que pareceram séculos.

Json encontrou os destroços no dia seguinte. No chão, havia um símbolo esculpido: dois círculos entrelaçados e um ponto no centro. Era a marca das Academias de Supremacia.

Não havia dúvidas. Lior não era apenas um questionador. Era a semente do caos, enviada por Korzar.

Json reuniu os Mestres dos Círculos:

“O primeiro ataque não veio com lanças ou forças. Veio com ideias distorcidas. Preparem-se. A próxima batalha será travada no campo do pensamento.”

E assim, iniciou-se o protocolo de defesa mais temido: a ativação da Ordem da Razoabilidade, um código secreto entre os Mestres para identificar desvios filosófico-científicos letais.

Mas Lior já não estava entre eles. Sumira na noite anterior… deixando para trás apenas sua sombra.